Archive for agosto, 2009

Os padres da Igreja


2009
08.04

"Recomenda-se, por isso, vivamente que os católicos se aproximem com mais freqüência destas riquezas espirituais dos Padres do Oriente que levam o homem á contemplação das coisas divinas". (Papa João Paulo II, Carta Apostólica Orientale Lumen, 1995.)

Quando dizemos “O Santo Padre” (no singular), estamos falando do Papa; mas quando dizemos “Os Santos Padres” ou os “Padres de Igreja”, estamos nos referindo àqueles famosos “mestres” da doutrina e da fé que viveram nos primeiros séculos da Igreja. Eles foram os primeiros “construtores” da Teologia, os guias ou “pais” na elaboração da doutrina da Igreja. “Padres” quer dizer “pais”, geradores ou fontes. O período em que viveram chama-se Patrística, e o estudo de sua vida e de suas obras leva o nome de Patrologia.

A seguir damos outras características dos Padres da Igreja.

1.Antiguidade: situam-se entre os séculos segundo e oitavo.
2.Ortodoxia: sua doutrina é correta, aprovada pela Igreja.
3.Santidade de vida: são mestres e testemunhas da fé.
4.Aprovação: são reconhecidos pela Igreja como tais.

Por isso, Orígenes e Tertuliano não são propriamente “Padres” da Igreja. São, antes, apologistas ou Escritores Eclesiásticos. Sua doutrina teve alguns senões.

Outra expressão consagrada na Teologia e na História da Igreja é “Padres Apostólicos”. São aqueles mestres famosos que receberam a doutrina dos Apóstolos. Por exemplo: Inácio de Antioquia, Clemente Romano, Policarpo. Estes são também tidos como Santos Padres.

OS PADRES DO DESERTO

Os Padres do Deserto viveram entre os séculos III e VI. À primeira vista, encarnaram uma espiritualidade que nos parece um pouco estranha; mas, examinando melhor seus ditos, descobrimos sua atualidade.

Os monges primitivos falam por experiência. Não imaginam nenhuma teoria sobre a natureza do ser humano, mas experimentaram em seu próprio corpo a que significa ser pessoa humana, como se parece o caminho para Deus, qual caminho dá certo e qual conduz ao abismo.

Quando os Padres do Deserto pensam em Deus, pensam também em sua imagem como pessoas. Seu relacionamento com Deus é marcado por lealdade e sinceridade e, diante de Deus, reconhecem quem são.

Um dos maiores mestres da espiritualidade cristã da atualidade é o monge beneditino alemão Anselm Grüm, escreve ele: “Os monges primitivos conseguiram através de uma ascese conseqüente, de um autoconhecimento honesto e de um constante bater à porta de Deus tornar-se totalmente permeáveis ao amor e á luz de Deus. Devemos aproveitar das ricas fontes que nos oferece a tradição cristã. Uma fonte clara e sempre refrescante para a vida espiritual são os escritos dos monges primitivos. Suas palavras são, pois, cheias de fascínio pelo Deus que, só ele, pode satisfazer nosso desejo mais profundo”.

Os Padres do Deserto, também são conhecidos como anacoretas ou eremistas. Os primeiros foram São Paulo de Tebas; Santo Antão, chamado o “Pai o Monges”; São Pacômio, foi o primeiro a reunir os eremitas num mosteiro, no ano 318, na Tebaida, às margens do rio Nilo. São Marcário, São Basílio e São Bento seguiram o exemplo de São Pacômio.

REGRA DE SÃO BENTO – CAPÍTULO 73

Escrevemos esta Regra para que, seguindo-a nos mosteiros, demonstremos possuir certa honestidade na maneira de viver e algum início de vida religiosa.

Quanto ao mais, para aquele que se apressa em alcançar a perfeição da vivência monástica, existem os ensinamentos doa Santos Pais, cujo seguimento leva o ser humano ao ponto mais alto da perfeição celestial. Com efeito, que página ou palavra de autoridade divina, seja do Antigo, seja do Novo Testamento, não é norma seguríssima para a vida humana? Ou que livro dos Santos Pais católicos não nos diz, em sua ressonância, que devemos correr por um caminho direto até chegamos ao nosso Criador? E também as Conferências (Colações) dos Pais, as instituições e Vidas deles, assim como a Regra de nosso Santo Pai Basílio, que outra coisa são senão os instrumentos das virtudes dos monges de vida santa e abedientes?
Para meditação:

“O Patriarca Antônio falou ao Patriarca Poimém: “A maior obra dos homens é esta: ser capaz de apresentar seus pecados a Deus e estar preparado para as tentações até o último suspiro” (Apot. 4).

MAGNITUDE DOS SANTOS PADRES

É de suma importância o estudo dos Padres da Igreja para profundidade da doutrinação da fé, dos primórdios da História da Igreja e da Sagrada Teologia.

A magnitude dos Santos Padres para a teologia vem do fato de que uma opinião defendida por todos os Padres de uma determinada época, se for em matéria de fé ou moral, é considerada como infalivelmente verdadeira.

O conhecimento dos Santos Padres da Igreja é conhecer o fervor da experiência com Deus, a fortaleza da fé católica, a ortodoxia da doutrina e o Cristo PANTOCRATOR (em grego significa “aquele que tem poder sobre tudo”).

Depois de São Paulo Apóstolo, o maior teólogo de todos os tempos é Santo Tomás de Aquino.
Em suas duas Portentosas SUMAS, ele declara expressamente que Deus é o sujeito (subiectum) de toda a sua ciência teológica.

No princípio da CONTRA GENTILES, fazendo suas palavras de Santo Hilário, diz: “Estou consciente de que o principal ofício da minha vida e referente a Deus, de modo que toda palavra minha e todos os meus sentidos dele falem (I sobre a Trindade 37; PL 10, 48 D.)” E, na SUMMAE THEOLOGIAE, também declara: “Ora, na doutrina sagrada, tudo é tratado sob a razão de Deus, ou porque se trata de Próprio Deus ou de algo que a Ele se refere como a seu princípio ou a seu fim”.
Segundo o Papa Pio XI “A Suma Teológica é o céu visto da terra”.

E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com
BIBLIOGRAFIA

A Regra de São Bento. Tradução de Dom Abade Basílio Penido, osb.
Mosteiro da Santa Cruz, Juiz de Fora – MG, 2000.

Cechinato, Luiz. Os vinte séculos de caminhada da Igreja, Petrópolis – RJ: Vozes, 1996.

Grün, Anselm. Os Padres do Deserto: temas e textos, Petrópolis – RJ: Vozes, 2009.

Jamison, Christopher, Encontre seu santuário – Lições de monges para a vida cotidiana, São Paulo: Editora Larousse do Brasil, 2008.

Namorar não é fácil


2009
08.04

O convívio nos coloca abertos às criticas

Pessoas com desejo de se casar e constituir família sentem-se frustradas por não conseguirem levar adiante um relacionamento. O problema parece ainda maior quando se lembram dos namoros anteriores malsucedidos, nos quais foram criados vários sonhos em castelos de areia por acreditarem ter encontrado o (a) príncipe (princesa) encantado (a). Esses traumas seguramente seriam minimizados se, durante o envolvimento, esses casais levassem mais em conta a falta de disposição do outro para acolher as exigências e as responsabilidades da vida a dois, além de outros sinais que poderiam ser um forte indício de incompatibilidade.

É engano acreditar que somente pela condição financeira estabilizada ou pela boa aparência se consiga estabelecer um namoro duradouro. Viver bem esse tempo significa permitir que este nos ajude e nos ensine a lidar com algumas situações ainda não experimentadas, como divergências de opinião, interferências dos familiares no relacionamento, dificuldades em encontrar o equilíbrio, brigas, vícios, entre outras dificuldades que certamente surgirão durante o processo de conhecimento mútuo.

No convívio, o casal de namorados passa a ser regido conforme um princípio comum, estabelecido a partir dos valores nos quais foram educados e que irão fundamentar uma futura vida conjugal. Da mesma maneira que formamos opiniões sobre as pessoas, estas também criam conceitos a nosso respeito. Se num breve encontro com alguém somos capazes de fazer um julgamento, bem maiores serão as chances de elaborarmos um verdadeiro dossiê a respeito da pessoa com quem estamos convivendo nessa fase [namoro]. Muito mais que se confrontarem com ocasiões divergentes, os enamorados precisarão buscar soluções sensatas para equacionar os variados tipos de impasses.

É certo que a experiência do convívio a dois nos coloca abertos às possíveis críticas e a recíproca também é verdadeira. Ser desaprovados a respeito de uma roupa que estamos usando, por exemplo, não nos causa tanto desconforto se comparado ao mal-estar causado ao sermos censurados pelo nosso comportamento. Aprender a acolhê-las [críticas] e aplicá-las no nosso viver é uma das virtudes necessárias para o desenvolvimento de um bom relacionamento. Esse novo processo, o qual muitas vezes é lento, se torna mais fácil com a ajuda do outro, quando este também deseja viver as possíveis mudanças exigidas.

Namorar alguém muito diferente de nós, não significa que o relacionamento esteja fadado ao fracasso. Por outro lado, sabemos que, nesses casos, maiores devem ser os gestos de paciência e esforço de forma a criar novas perspectivas para as divergências nos pontos de vista, valores, ideais, entre outros. Apenas reclamar do (a) namorado (a) – que foi sua escolha – de nada ajudará.

O ritmo da nossa vida nos impulsiona a sermos melhores a cada dia. Não podemos ser guiados pelo próprio comodismo de continuar a ser aquilo que nos torna pouco agradáveis ou intransigentes ao outro. Insistir na ideia de que “aquele que gosta de mim precisa me aceitar como sou” não funciona. Fazer uma avaliação sobre o que tem sido vivido no namoro e corrigir os possíveis desvios facilita o convívio e fortalece os laços. Pode acontecer que, nessa análise, se descubra a intolerância como uma possível causa da desarmonia no relacionamento, a qual não deve ser levada para a próxima etapa, isto é, o casamento.

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Um abraço,

Foto Dado Moura
contato@dadomoura.com
Dado Moura é membro aliança da Comunidade Canção Nova e trabalha atualmente na Fundação João Paulo II para o Portal Canção Nova, como articulista.
Para ouvir comentários de outros artigos, acesse: podcast Relacionamentos
Outros temas do autor: www.dadomoura.com


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