Archive for abril, 2009

CANTICO DAS CRIATURAS


2009
04.29

São Francisco de Assis

São Francisco de Assis

Altíssimo e onipotente bom Senhor
E os sãos louvores da glória, honra e toda bênção.
A ti somente altíssimo eles convém
E nenhum homem é digno de te imitar.

Louvado sejas meu Senhor com todas as criaturas
Especialmente o senhor irmão Sol
O qual faz o dia e por ele alumia
E ele é belo, radiante e com grande esplendor de ti.
Louvado sejas o meu Senhor pela irmã Lua
Pelas estrelas que no céu formaste as claras,
preciosas e belas.
Louvado sejas o meu Senhor pelo irmão vento
Pelo ar, pela nuvem, pelo sereno e todo tempo pelo
qual das tuas criaturas o sustento.

Louvado sejas meu Senhor pela irmã água
A qual nos é muito útil, úmida, preciosa e casta.
Louvado sejas meu Senhor pelo irmão Fogo
Pelo qual iluminas a noite
Ele é belo, robusto e forte.
Louvado sejas o meu Senhor pela nossa irmã-mãe Terra
A qual nos sustenta, governa e produz diversos frutos
Flores coloridas e ervas.

Louvado sejas o meu Senhor pela nossa irmã morte
corporal
Da qual nenhum vivente pode escapar

Bendito aquele que se encontra na tua santíssima
vontade ao qual a morte não fará mal

Louvai e bem dizei ao meu Senhor
Agradeça e sirva com grande humildade

Louvai e bem dizei ao meu Senhor

E quando bate o desânimo espiritual?


2009
04.29

Sabemos que não somos perfeitos, mas não podemos nos acomodar

Encontramo-nos novamente para conversar um pouco mais sobre a vida espiritual. No texto anterior vimos que, para que haja uma vida espiritual, é preciso que aconteça uma luta. Vimos a importância dessa luta e que sem ela não há espiritualidade. Elas – a vida e a luta espiritual – estão ligadas.

Seguindo esse raciocínio, vamos pensar sobre os momentos nos quais desanimamos na nossa vida espiritual, na maioria das vezes, justamente por causa dessas lutas interiores que precisamos travar e porque, às vezes, somos derrotados nesses duelos.

São Paulo nos diz na Carta aos Filipenses no capítulo 3 versículo 16: “Contudo, seja qual for o grau a que chegamos, o que importa é prosseguir decididamente”.

Vemos que o próprio apóstolo por vezes também era derrotado nas suas lutas espirituais quando lemos na Carta aos Romanos: “Não faço o bem que quero e faço o mal que não quero” (Rm 7,19). Mas é ele também que nos encoraja para seguirmos adiante: “importa prosseguir decididamente”!

Lá em Minas Gerais conheço um sacerdote que faz um trabalho maravilhoso com os jovens. E com frequência ele diz aos que ele orienta: o importante é que na nossa caminhada o saldo seja positivo. O sacerdote ensina que pode acontecer, por exemplo, de na nossa caminhada darmos cinco passos para frente e dois para trás. Então o saldo é de três passos adiante, ou seja, saldo positivo de três.

Também aprendemos com o apóstolo dos gentios que não somos perfeitos: erramos, pecamos e, por vezes, fazemos o mal que não queremos fazer, ou como nos ensina o sacerdote de que lhes falei: damos alguns passos para trás. Mas isso não pode fazer com que desanimemos ou com que desistamos da vida espiritual. Pelo contrário, tem de nos tornar mais fortes e determinados.

Precisamos agir como São Paulo, que mesmo não conseguindo fazer sempre o bem, ainda assim, nos encoraja a prosseguir e a não fazê-lo de qualquer jeito, mas de modo decidido. Sendo assim, mesmo que erremos, que pequemos, que andemos alguns passos para trás, como ensina o grande apóstolo, não podemos desistir de perseguir o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo.

Foto

Denis Duarte
contato@denisduarte.com
Denis Duarte Especialista em Bíblia e Cientista da Religião.
www.denisduarte.com

Experimentar o amor de Deus


2009
04.29

Você já parou para pensar no quanto Deus te fez?

Podemos nos perguntar: quando foi que Deus não nos amou, não nos acolheu, não nos perdoou?

Essa é uma pergunta que devemos nos fazer sempre, certos de que o Senhor nos amou e vai continuar nos amando. Arrisco dizer que existe algo que é impossível para o Altíssimo: deixar de nos amar, de nos perdoar e de nos acolher. Ainda que nos precipitemos e nos afastemos, Ele nunca se esquecerá de nós. É lindo perceber que Deus Pai não nos escolhe pelo que fazemos. E que bom que é assim!

Sempre nos perguntamos o “porquê” das coisas tristes que acontecem em nossas vidas e quase nunca nos perguntamos o “para quê”. Precisamos fazer como Jó, que reconhece que Deus era o seu tudo e mesmo sofrendo não blasfemou, mas foi fiel ao Senhor.

Não é que o Senhor quer que soframos, mas tudo isso é consequência do nosso pecado, da nossa revolta. Quantas situações de sofrimento e de angústia nas quais chegamos a dizer que Ele nos abandonou. Mas perceba: as situações difíceis não passaram? Portanto, não teríamos de concluir que o Senhor não nos abandonou?

Isaías, capítulo 44, versículos 1 e 2: "Agora escuta, Jacó, meu servo, Israel, a quem escolhi. Eis o que diz o Senhor que te criou, que te formou desde o seio materno e te socorreu: nada temas, Jacó, meu servo, meu Israel, a quem escolhi!"

Deus nos escolheu e nos chamou pelo nome. Ele sempre acredita em nós, sempre acreditou e sempre continuará acreditando. Veja as obras d'Ele na sua vida; e não só as perceba, mas anuncie essas maravilhas.

O serviço de Deus é um encargo. Ele tem uma obra para cada um de nós e quer que nós façamos a diferença onde quer que estejamos.

Você já se perguntou o motivo do chamado de Deus e para que Ele o chamou? Você já parou para pensar no quanto o Senhor já fez em sua vida? Talvez muitos da sua família e dos seus amigos ainda não vieram para Deus, porque você ainda não reconheceu aquilo que Ele fez em sua vida.

Tudo que o Todo-poderoso faz por nós não é para que nos gloriemos, mas para que O testemunhemos com coragem. O Senhor nos deu uma missão, sempre acredita e aposta em cada um de nós; Ele nos ama e nos acolhe. No entanto, muitas vezes, nós não acolhemos o amor d'Ele porque nem sempre temos atitudes de filhos para com Ele. Precisamos agir como filhos em nosso relacionamento com Deus Pai. Precisamos reconhecer que Ele nos acolhe.

Por amor à sua família e por amor a você, deixe-se amar por Deus.

Pe. Cido

O segredo de um namoro santo


2009
04.28

Tiba e Andreia

Andréa – Eu e o Tiba somos namorados há dois anos e nove meses, e também somos consagrados da Canção Nova. Estou na comunidade há cinco anos e ele há seis. Temos mais de cinco anos de amizade. Hoje, estamos aqui para falar com você sobre alguns aspectos importantes da vida a dois, do namoro santo e também de algumas polêmicas que a mídia implanta em nossas mentes sobre o namoro.

Tiba – Para começar, queremos convidar vocês para refletir sobre uma situação. Imagine que você e seu filho moram em um lugar distante da civilização, são pobres e estão passando fome. Há uma grande seca na região em que vocês moram e há somente um pão para ser dividido com seu filho. De repente, na hora em que vocês iriam comê-lo, alguém bate à porta e pede um pedaço de pão. O que você faria? Doaria o pão para a pessoa desconhecida ou o comeria com seu filho?

Andréa –
Vamos analisar agora uma passagem bíblica que fala sobre o mesmo tema. A Palavra está em I Reis (17, 10-16):

“Elias pôs-se a caminho para Sarepta. Chegando à porta da cidade, viu uma viúva que ajuntava lenha. Chamou-a e disse-lhe: Por favor, vai buscar-me um pouco de água numa vasilha para que eu beba. E indo ela buscar-lhe a água, gritou-lhe Elias: Traze-me também um pedaço de pão. Pela vida de Deus, respondeu a mulher, não tenho pão cozido: só tenho um punhado de farinha na panela e um pouco de óleo na ânfora; estava justamente apanhando dois pedaços de lenha para preparar esse resto para mim e meu filho, a fim de o comermos, e depois morrermos. Elias replicou: Não temas; volta e faze como disseste; mas prepara-me antes com isso um pãozinho, e traze-mo; depois prepararás o resto para ti e teu filho. Porque eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: a farinha que está na panela não se acabará, e a ânfora de azeite não se esvaziará, até o dia em que o Senhor fizer chover sobre a face da terra. A mulher foi e fez o que disse Elias. Durante muito tempo ela teve o que comer, e a sua casa, e Elias. A farinha não se acabou na panela nem se esgotou o óleo da ânfora, como o Senhor o tinha dito pela boca de Elias.”

Tiba Você deve estar pensando agora: "O que essa Palavra tem a ver com o Dia dos Namorados?"

Andréa - Olhando-na com olhos frios, não tem nada a ver mesmo. Mas se analisarmos a sua essência descobriremos que ela se encaixa certinho para o dia de hoje.

Tiba - Vamos analisar, então, a história. A viúva acreditou na palavra do profeta Elias. Ela se colocou numa situação de extrema fé e tomou uma atitude de inteligência. Ela confiou no poder de Deus e o fruto disso foi que não mais passou fome durante muito tempo.

Andréa – Esse mesmo convite de confiança, Deus o faz para nós, jovens, para confiar n'Ele. Jesus nos convida para investir nossa juventude numa vida de santidade. Hoje, muitos jovens têm medo de se confiar a Deus, medo de viver um namoro em Deus por causa de toda a renúncia que isso requer. Temos que ser como aquela viúva, mencionada na Palavra, e acreditar. Ela acreditou e seu pão foi multiplicado. Se tivermos coragem de entregar nossa vida a Deus, nossa vitalidade será multiplicada. Antes de ser missionária da Canção Nova eu vivi outros namoros, levei uma vida que o mundo prega. Mas, por experiência própria, nunca me senti tão cheia de vida como hoje, tendo um namoro santo.

O casamento é o namoro que deu certo

'O casamento é o namoro que deu certo'

Tiba Para fortalecer esse chamado de Deus, para nós, apareceu o profeta com o nome de João Paulo II. Ele lançou um desafio para a juventude: "Jovens, não tenham medo de ser santos!" E a juventude respondeu. Você já não está mais sozinho, existe um povo que ouve a voz do profeta, que é a Igreja.

Andréa – Elias fez uma promessa à viúva para que ela o atendesse. Que promessas a Igreja nos faz como o profeta? Ela nos faz a promessa de famílias santas. Mas como vamos atingir isso? Só conseguiremos receber a promessa da Igreja se dermos uma resposta positiva para Deus.

Tiba - O namoro é quando começa a família. Se você quer uma família estruturada e santa, comece com um namoro santo. O casamento precisa ser o namoro que deu certo.

Andréa – Você já parou para analisar como a mídia apresenta a comemoração do Dia dos Namorados? Ela supervaloriza o sexo, o abuso um do outro, o namorar por namorar. O mundo nos prega essa vida de desejos, mas somos convidados para ser contra essa corrente.

Tiba - A porta para o céu é estreita e a porta do inferno é larga. Temos que dar uma resposta diferente à dada pelo mundo.

Andréa – O namoro é um tempo de conhecimento interno. Não é o tempo de conhecer a "anatomia" da pessoa com quem você está, mas sim, a essência dela. É época de conhecer a  história, os sonhos, a fé e a maneira como ela vê Deus, a família e os amigos.

Tiba Como diria Santo Agostinho: "Se quiser conhecer uma pessoa não observe o que ela faz, mas o que ela ama". O que a pessoa ama vamos conhecer no namoro. Não tenha medo de questionar a pessoa com quem você está. Tenha em mente que o namoro é tempo de conhecer e não é porque está com essa pessoa que terá de casar com ela. Por isso existe o namoro: para ser uma ponte de conhecimento entre ambos antes do casamento.

Andréa – No namoro, você descobre os defeitos e as qualidades da pessoa que está com você. Temos de analisar se o amor que sentimos supera os defeitos de nosso parceiro. São histórias diferentes, culturas opostas, desejos e sonhos distintos. Tudo tem que ser analisado.

Tiba
Algumas questões básicas têm que ser feitas constantemente. Fico triste ou feliz quando estou com minha namorada? Essa pessoa me devolve para mim? Ela me deixa livre para eu ser eu mesmo? Prende-me ou me dá liberdade? O namoro vive de pequenos gestos e de compreensão. Eu sou esquecido e isso mata a Andréa de raiva, mas isso não se torna barreira no nosso relacionamento, se torna riqueza. É mais um motivo de mostrar amor nas pequenas coisas.

‘Se quiser conhecer uma pessoa não observe o que ela faz, mas o que ela ama’

‘Se quiser conhecer uma pessoa não observe o que ela faz, mas o que ela ama’

Andréa – É preciso ficar atento ainda às fases do seu namoro. Muitas vezes, vemos histórias de pessoas que abandonam seus parceiros porque acham que o amor acabou. No começo, o coração dispara quando vê a pessoa, você olha a foto e chora de saudade. Mas isso, certa hora, passa, porque a paixão é passageira. Então, corre-se o risco de pensar que tudo está acabado. É preciso observar que depois da paixão vem o amor, a fase madura do relacionamento. Acrescentando à lista de perguntas que você tem que fazer constantemente, já mencionada pelo Tibá, comentarei mais seis que o diácono Nelsinho me disse uma vez: segurança (você se sente segura em relação a ele?); confiança (você confia nele ou é ciumenta?); afeto (você consegue perceber o amor dele?); carinho (ele demonstra atitudes de carinho?); fidelidade (você é fiel e sente o mesmo por parte do seu namorado?); espírito de paternidade ou maternidade (você percebe aspectos que mostrem que ele é um futuro bom pai ou boa mãe?).

TibaQuando vivemos um namoro de Deus colhemos os frutos do relacionamento que vive a castidade, o relacionamento do conhecimento profundo. Aprendemos a nos controlar e a ter paciência. Aprendemos a controlar os nossos desejos. Não agimos pela carne, mas pelo coração.
Mas, só quem tem coragem de dizer "sim" a Deus colherá os frutos da alegria e da santidade. Experimente! Amém.

fonte: Canção Nova - Eventos

Como ser um católico bem formado?


2009
04.13

Quanto mais conhecemos a Igreja, mais a amamos.

O autor da Carta aos Hebreus escreveu: “Ora, quem se alimenta de leite não é capaz de compreender uma doutrina profunda, porque é ainda criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que a experiência já exercitou na distinção do bem e do mal” (Hb 5, 13-14). Sem esse “alimento sólido”, que a Igreja chama de “fidei depositum” (o depósito da fé), ninguém poderá ser verdadeiramente católico e autêntico seguidor de Jesus Cristo.

Não há dúvida de que a maior necessidade do povo católico hoje é a formação na doutrina. Por não a conhecer bem, esse mesmo povo, muitas vezes, vive sua espiritualidade, mas acaba procedendo como não católico, aceitando e vivendo, por vezes, de maneira diferente do que a Igreja ensina, especialmente na moral. E o pior de tudo é que se deixa enganar pelas seitas, igrejinhas e superstições.

Em sua recente viagem à África, que começou em 17 de maio de 2009, o Papa Bento XVI deixou claro que a formação é o antídoto para as seitas e para o relativismo religioso e moral. Em Yaoundé, em Camarões, o Sumo Pontífice disse que “a expansão das seitas e a difusão do relativismo – ideologia segundo a qual não há verdades absolutas –, tem um mesmo antídoto, segundo Bento XVI: a formação”. Afirmando que: «O desenvolvimento das seitas e movimentos esotéricos, assim como a crescente influência de uma religiosidade supersticiosa e do relativismo, são um convite importante a dar um renovado impulso à formação de jovens e adultos, especialmente no âmbito universitário e intelectual». E o Santo Padre pediu «encarecidamente» aos bispos que perseverem em seus esforços por oferecer aos leigos «uma sólida formação cristã, que lhes permita desenvolver plenamente seu papel de animação cristã da ordem temporal (política, cultural, econômica, social), que é compromisso característico da vocação secular do laicado».

Desde o começo da Igreja os Apóstolos se esmeraram na formação do povo. São Paulo, ao escrever a S. Tito e a S. Timóteo, os primeiros bispos que sagrou e colocou em Creta e Éfeso, respectivamente, recomendou todo cuidado com a “sã doutrina”. Veja algumas exortações do Apóstolo dos Gentios; a Tito ele recomenda: seja “firmemente apegado à doutrina da fé tal como foi ensinada, para poder exortar segundo a sã doutrina e rebater os que a contradizem” (Tt 1, 9). “O teu ensinamento, porém, seja conforme à sã doutrina” (Tt 2,1).

A Timóteo ele recomenda: “Torno a lembrar-te a recomendação que te dei, quando parti para a Macedônia: devias permanecer em Éfeso para impedir que certas pessoas andassem a ensinar doutrinas extravagantes, e a preocupar-se com fábulas e genealogias” (Tm 1, 3-4). E “Recomenda esta doutrina aos irmãos, e serás bom ministro de Jesus Cristo, alimentado com as palavras da fé e da sã doutrina que até agora seguiste com exatidão” (1Tm 4,6). São Paulo ensina que Deus “quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4).

Sem a verdade não há salvação. E essa verdade foi confiada à Igreja: “Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15). Jesus garantiu aos Apóstolos na Última Ceia que o Espírito Santo “ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16, 13) e “relembrar-vos-á tudo o que lhe ensinei” (Jo 14, 25). Portanto, se o povo não conhecer esta “verdade que salva”, ensinada pela Igreja, não poderá vivê-la. Mas importa que essa mesma verdade não seja falsificada, que seja ensinada como recomenda o Magistério da Igreja, que recebeu de Cristo a infalibilidade para ensinar as verdades da fé (cf. Catecismo da Igreja Católica § 981).

Já no primeiro século do Cristianismo os Apóstolos tiveram que combater as heresias, de modo especial o gnosticismo dualista; e isso foi feito com muita formação. São Paulo lembra a Timóteo que: “O Espírito diz expressamente que, nos tempos vindouros, alguns hão de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos embusteiros e a doutrinas diabólicas, de hipócritas e impostores [...]” (1Tm 4,1-2).

A Igreja, em todos os tempos, se preocupou com a formação do povo. Os grandes bispos e padres da Igreja como S. Agostinho, S. Ambrósio, S. Atanásio, S. Irineu, e tantos outros gigantes dos primeiros séculos, eram os catequistas do povo de Deus. Suas cartas, sermões e homilias deixam claro o quanto trabalharam na formação dos fiéis.

Hoje, o melhor roteiro que Deus nos oferece para uma boa formação é o Catecismo da Igreja Católica, aprovado em 1992 pelo saudoso Papa João Paulo II. Em sua apresentação, na Constituição Apostólica “Fidei Depositum”, ele declarou:

“ O Catecismo da Igreja Católica [...] é uma exposição da fé da Igreja e da doutrina católica, testemunhadas ou iluminadas pela Sagrada Escritura, pela Tradição apostólica e pelo Magistério da Igreja. Vejo-o como um instrumento válido e legítimo a serviço da comunhão eclesial e como uma norma segura para o ensino da fé”. E pede: “Peço, portanto, aos Pastores da Igreja e aos fiéis que acolham este Catecismo em espírito de comunhão e que o usem assiduamente ao cumprirem a sua missão de anunciar a fé e de apelar para a vida evangélica. Este Catecismo lhes é dado a fim de que sirva como texto de referência, seguro e autêntico, para o ensino da doutrina católica […]. O "Catecismo da Igreja Católica", por fim, é oferecido a todo o homem que nos pergunte a razão da nossa esperança (cf. lPd 3,15) e queira conhecer aquilo em que a Igreja Católica crê”.

Essas palavras do Papa João Paulo II mostram a importância do Catecismo para a formação do povo católico. Sem isso, esse povo continuará sendo vítima das seitas, enganado por falsos pastores e por falsas doutrinas.

Mais do que nunca a Igreja confia hoje nos leigos, abre-lhes cada vez mais a porta para evangelizar; então, precisamos fazer isso com seriedade e responsabilidade. Ninguém pode ensinar aquilo que quer, o que “acha certo”; não, somos obrigados a ensinar o que ensina a Igreja, pois só ela recebeu de Deus o carisma da infalibilidade. Ninguém é catequista e missionário por própria conta, mas é um enviado da Igreja. Sem a fidelidade a ela, tudo pode ser perdido. Portanto, é preciso estar preparado, estudar, conhecer a Igreja, a doutrina, a sua História, o Catecismo, os documentos importantes, a liturgia, entre outros. Quanto mais conhecemos a Igreja e todo o tesouro que ela traz em seu coração, tanto mais a amamos.

Foto Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Prof. Felipe Aquino, casado, 5 fihos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de Aprofundamentos no país e no exterior, já escreveu 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: "Escola da Fé" e "Trocando Idéias". Conheça mais em www.cleofas.com.br

Papa destaca o sentido do sacerdócio e recorda sua ordenação


2009
04.13

O Papa Bento XVI presidiu, na manhã desta quinta feira-santa, na Basílica Vaticana, à Santa Missa do Crisma, concelebrada por cardeais, bispos e presbíteros (religiosos e diocesanos). Na celebração desta Missa os padres renovam suas promessas sacerdotais a serviço do povo de Deus.

.: Assista ao Vídeo da Celebração

Em sua homilia, o papa explicou que "de fato, há apenas um único sacerdote da Nova Aliança: o próprio Jesus Cristo. Por conseguinte, o sacerdócio dos discípulos é participação no sacerdócio de Jesus. Assim, o nosso sacerdócio nada mais é que um novo modo de unir-nos a Cristo. A união com Cristo supõe renúncia."

"No 'sim' da Ordenação sacerdotal, fizemos a renúncia fundamental à autonomia, à auto-realização. No entanto, é preciso, dia após dia, cumprir este grande 'sim' entre os demais 'sins' e nas pequenas renúncias. Se cultivarmos uma verdadeira familiaridade com Cristo, então poderemos experimentar a alegria da sua amizade".

Deste processo, disse o pontífice, faz parte a oração, com a qual nos exercitamos na amizade com Cristo e aprendemos a conhecê-Lo: o seu modo de ser, de pensar, de agir. Rezar é progredir na comunhão pessoal com Cristo, expondo-lhe a nossa vida diária, nossos sucessos e falências, nossas fadigas e alegrias. É apresentar-nos, simplesmente, diante d’Ele.

Enfim, Bento XVI recordou que é importante rezar com a Igreja, celebrar a Eucaristia que é oração. Como sacerdotes, mediante a celebração Eucarística, encaminhamos os fiéis à oração. Se nos tornamos um com Cristo, aprenderemos a reconhecê-Lo de modo especial nos doentes, nos pobres, nos pequenos deste mundo; tornar-nos-emos pessoas que servem os irmãos.

Queridos amigos, concluiu o papa, nesta hora da renovação das promessas, queremos pedir ao Senhor que nos torne homens de verdade, homens de amor, homens de Deus. Peçamos-Lhe que nos torne verdadeiramente sacerdotes da Nova Aliança.

Aniversário sacerdotal de Bento XVI

O Papa recordou sua própria ordenação sacerdotal, realizada há 58 anos. "Na vigília da minha ordenação sacerdotal, 58 anos atrás, abri a Sagrada Escritura, porque queria receber mais uma palavra do Senhor para aquele dia e para o meu futuro caminho de sacerdote. O meu olhar caiu sobre este trecho: 'Consagra-os na verdade; a tua palavra é verdade'. Então soube: o Senhor está falando de mim, e está falando comigo. Precisamente a mesma coisa acontecerá amanhã em mim. Em última análise não em pessoa. Ordenação sacerdotal significa: ser imersos n'Ele, na Verdade. Pertenço de um novo modo a Ele e assim aos outros, 'para que venha o seu Reino'. Queridos amigos, nesta hora da renovação das promessas queremos pedir ao Senhor que nos torne homens de verdade, homens de amor, homens de Deus. Peçamos que Ele nos atraia sempre mais para dentro de si, para que nos tornemos verdadeiramente sacerdotes da Nova Aliança. Amém."

Terremoto em Áquila

Ao término da sua homilia, Bento XVI dirigiu seu pensamento a Dom Giuseppe Molinari, arcebispo de L’Aquila, que, por causa dos gravíssimos prejuízos causados pelo terremoto na catedral, não poderá reunir, hoje, seu presbitério diocesano, para a celebração da Missa do Crisma.

Portanto, o pontífice manda ao arcebispo de L’Aquila os santos óleos, em sinal de profunda comunhão e solidariedade espiritual. "Que estes santos óleos, disse o papa, possam acompanhar o tempo de renascimento e de reconstrução, sarando as feridas e sustentando a esperança".

A propósito, ao aceitar o pedido das autoridades civis e religiosas, o Santo Padre encarregou o Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, para presidir, amanhã, em L’Aquila, ao rito de sufrágio pelas vítimas do terremoto, que abalou a capital de Abruzzo e as regiões circunstantes.

Devido à excepcionalidade do acontecimento, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, concedeu o indulto para a celebração de uma Santa Missa de sufrágio, amanhã em L’Aquila, não obstante a liturgia de Sexta-feira Santa não prevê nenhum rito ou celebração Eucarística, a não ser aqueles concernentes à "Paixão do Senhor".

Como sinal de sua participação pessoal com os que sofrem por causa do terremoto, o Santo Padre enviará também à celebração seu Secretário particular, Mons. Georg Gänswein.


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