Archive for março, 2009

Soberba: a cultura do ego


2009
03.26
'Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo'
A soberba é o pior de todos os pecados capitais. É o que levou os anjos maus a se rebelarem contra Deus e Adão e Eva à desobediência e ao pecado original. Alguém disse que o orgulho é tão enraizado em nós, por causa do pecado original, que “só morre meia hora depois do dono”. Por outro lado, por ser o oposto da soberba, a humildade é a grande virtude, a que mais caracterizou o próprio Jesus: “Manso e humilde de coração” (cf. Mt 11,29) e também marcou a vida da Virgem Maria: “A serva do Senhor” (cf. Lc 1, 38), assim como a de São José e de todos os santos da Igreja.

São Vicente de Paulo ensinava seus filhos que o demônio não pode nada contra uma alma humilde, uma vez que sendo ele soberbo, não sabe se defender contra a humildade. Por isso, com essa arma ele [maligno] foi vencido por Nosso Senhor Jesus Cristo, pela Santíssima Virgem Maria, pelo glorioso São José, São Miguel e os demais santos.

A soberba consiste na pessoa sentir-se como se fosse a “fonte” dos seus próprios bens materiais e espirituais. Acha-se cheia de si mesma e se esquece de que tudo vem de Deus e é dom do alto, como disse São Tiago: “Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes” (Tg 1,17).

O soberbo se esquece de que é uma simples criatura, que saiu do nada pelo amor e chamado de Deus, e que, portanto, d'Ele depende em tudo. Como disse Santa Catarina de Sena, ele “rouba a glória de Deus”, pois quer para si as homenagens e os aplausos que pertencem só ao Senhor. São Paulo lembra aos coríntios que: “Nossa capacidade vem de Deus” (II Cor 3,5). Aos romanos ele afirma: “Não façam de si próprios uma opinião maior do que convém, mas um conceito razoavelmente modesto” (Rm 12,3). E “Não vos deixeis levar pelo gosto das grandezas; afeiçoai-vos com as coisas modestas. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Rm 12,16). Aos gálatas, o Apóstolo dos gentios declara: “Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo” (Gl 6, 3).

A soberba tem muitos filhos: o orgulho, a vaidade, a vanglória, a arrogância, a prepotência, a presunção, a autosuficiência, o amor-próprio, o exibicionismo, o egocentrismo, a egolatria, etc. Podemos dizer que ela é a “cultura do ego”. Você já reparou quantas vezes por dia dizemos a palavra “eu”? “Eu vou”, “Eu acho, “Eu penso que…”, “Mas eu prefiro…”, etc.. A luta do cristão é para que essa “força” puxe-o para Deus e não para o ego. Jesus, nosso Modelo, disse: “Não busco a minha glória” (Jo 8,50). São Paulo insistia no mesmo ponto: “É porventura, o favor dos homens que eu procuro, ou o de Deus? Por acaso tenho interesse em agradar os homens? Se quisesse ainda agradar aos homens, não seria servo de Deus” (Gl 1,10).

A soberba é o oposto da humildade; essa palavra vem de “húmus”, aquilo que se acha na terra, pó. O humilde é aquele que reconhece o seu “nada”, embora seja a mais bela obra de Deus sobre a terra, a glória d'Ele, como afirma santo Irineu no século II. São Leão Magno, Papa e doutor da Igreja, no século V, disse que: “Toda a vitória do Salvador, dominando o demônio e o mundo, foi iniciada na humildade e consumada na humildade!”.

Adão e Eva, sendo criaturas, quiseram “ser como deuses” (cf. Gen 3,5); Jesus, sendo Deus, fez-se criatura. Da manjedoura à cruz do Calvário, toda a vida de Cristo foi vivida na humildade e na humilhação. Por isso, Ele afirmou que no Reino de Deus os últimos serão os primeiros e quem se exaltar será humilhado. Façamos como Santa Teresinha que procurava o último lugar…

Oração Diante das Tentações

Mãe querida, acolhe-me em teu regaço, cobre-me com teu manto protetor e, com esse doce carinho que tens por teus filhos afasta de mim as ciladas do inimigo, e intercede intensamente para impedir que suas astúcias me façam cair. A ti me confio e em tua intercessão espero. Amém.

Padre Luizinho,

http://blog.cancaonova.com/padreluizinho/

24/03/2009 - 00h00

Coração livre = vida nova


2009
03.26
É necessário fazermos uma parada para reflexão
Dizem que a águia é um dos melhores exemplos de coragem na arte da renovação. É a ave que possui a maior longevidade da espécie, chegando a viver 70 anos. Mas, para chegar a essa idade, ela tem de tomar uma séria e difícil decisão. É que aos 40 anos, por estar com as garras compridas e flexíveis, ela não consegue mais agarrar as presas das quais se alimenta. E o bico, alongado e pontiagudo, se curva.

Apontadas contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, de forma que voar já não é tão fácil! Então, a águia só tem duas alternativas: Morrer ou enfrentar um doloroso processo de renovação de 150 dias de duração, que consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão, onde ela não necessite voar. E, após encontrar esse lugar, ela começa a bater com o bico em uma superfície até conseguir arrancá-lo. Ao alcançar esse objetivo, espera nascer um novo bico, com o qual, mais tarde, vai arrancar suas garras. Quando começam a nascer as novas garras ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses sai para o esperado voo da renovação, quando poderá viver mais 30 anos.

Se é verdade ou não que essa ave passa por esse processo eu não sei, mas acredito que a parábola pode nos ajudar a pensar na vida e a nos encorajar a tomarmos as decisões de que talvez precisemos hoje.

Assim como acontece com a ave de rapina, a vida nos ensina que – para continuarmos voando – é necessário nos desprendermos daquilo que nos pesa: as lembranças, os costumes antigos, os apegos exagerados, os sentimentos feridos e tantas outras coisas que cresceram mais do que deviam dentro de nós, podendo nos roubar a leveza de nossos atos e nos impedir de voar mais alto.

Chega a hora em que é necessário fazermos uma parada para reflexão e possível mudança. Nem sempre é uma escolha fácil, porém, é importante. Uma viagem, férias prolongadas ou, para quem pode, uma temporada na praia podem ser ótimas opções. No entanto, o mais relevante é mesmo a coragem de rever a vida e a decisão de mudar o que é preciso. O lugar favorável ajuda, mas o essencial é mesmo a decisão da mudança.

Acredito que é fundamental, neste tempo, fazer as pazes com os acontecimentos do passado, preservando uma memória grata do que foi bom e a lição que os erros nos ensinaram, sem dar espaço para saudosismos nem culpas. Somente um coração livre do peso do passado pode dar espaço para as novidades que a vida oferece a cada amanhecer.

Conheço muita gente que deixou de viver por medo de tomar a decisão da águia... Que este não seja seu caso.

A Palavra do Senhor, em Isaías, capítulo 40, versículo 31, nos faz lembrar a força dessa ave e que vale a pena esperar confiantes em Deus: “Mas os que esperam no SENHOR renovarão as suas forças e subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão”.

Hoje é dia de renovação em sua vida! Independentemente de sua idade, o Senhor quer fazer novas todas as coisas, convidando-o para viver um novo tempo e oferecendo-lhe uma nova oportunidade. A escolha é sua! Arrancar as penas antigas pode até doer, mas a esperança de ver outras nascerem encorajam a águia. Se algo o está impedindo de voar, tenha a coragem de lançá-lo fora, decida-se pela vida nova que o Senhor certamente deseja lhe dar e seja feliz.

Estou unida!

Foto Dijanira Silva
dijanira@geracaophn.com
Missionária da Comunidade Canção Nova, em Fátima, Portugal. Trabalha na Rádio CN FM 103.7

25/03/2009 - 08h00

20 anos


2009
03.26

tempo

Neste dia, quero dizer com grande certeza de meu coração, que neste ano, com certeza Deus me agraciou com seu amor, vendo em tudo e em todos, a grande magnitude do Seu Amor. Quando Ele, no dia 26/03, veio me chamar a vida, quis também me acertar com uma flecha que transpassa meu coração, a FLECHA DO AMOR.

Sei que por vezes, nestes anos, tenho sido capaz de muitas coisas, que chegou a machucar o coração de Deus, mais hoje, com a sinceridade de uma criança, a maturidade do sábio, a experiência do idoso, e o que completa tudo: com O AMOR de DEUS, faço todas as coisas tentando imitar o coração de Cristo Jesus, um coração que seja misericordioso e forte, sempre sendo o que Deus quer quando necessário.

Quero ilustrar este ano que se passou, com a alegria de hoje poder contar com mais uma obra de Deus em minha vida, quando no dia 9/04, um dia de muito trabalho, muita correria, minha mente trabalhava a mil, o estresse era total... Nunca iria imaginar que com grande Profundidade, Deus iria se fazer presente em minha vida, dando-me uma nova a alegria para viver, renovando em mim, tudo que com o tempo foi deixando ficar pra traz e foi sendo esquecido, através de um anjo. Esse Anjo me completa, me ensina, me transforma em um homem santo e me coloca animo novo. Descobri que realmente a vida tem valor e que eu tenho valor diante dela! Descobri que não a um ser como a minha NAMORADA, NATALI, que me expressa a beleza do Olhar Divino. Assim quando olho pra esta virgem que DEUS uni a mim, vejo também Deus me colocando a posto de batalha, dando-me liberdade, me enviando a vida de santidade. NATALI, EU TE AMO FOREVEMENTE.....

“Não sou perfeito, mas estou correndo atrás daquilo que sou”. Deus é tudo para mim! Retire-me o Evangelho e eu não sei mais para onde olhar. Se tira-me da mira de tudo aquilo que eu considero santo e sagrado, eu passo a não conhecer mais minha própria identidade. Isso é humano e divino. Apaixonei-me por mim a cada dia. Não quero ser aquilo que dizem que eu sou. Parece estranho, mas não posso dar aquilo que não tenho. Quero ser a cada dia mais santo e mais homem, pois sei que na minha humanidade, Deus se faz presente, e na minha Divindade, Deus se torna homem. Assim como diz o Salmo 39: “Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor!”. Em muitas vezes isso basta pra mim...

Hoje minha vida tem mais sentido, minha vida tem mais harmonia, tem mais certeza do céu vivido aqui na terra... Lembro-me claramente do meu amado falecido avô, Pedro Jorge, que sempre me dizia: “Meu filho, tenha juízo!!!” ou somente “Juízo!!!”. Hoje quero fazer memória destas palavras, e dizer a todos que o Deus que me move a todo instante é o mesmo que sempre me pediu “Juízo!!!”, é o mesmo que sempre me concedeu o santo “Juízo!!!”.

O Santo que tenho devoção disse certa vez: “Tente percorrer com toda a simplicidade o caminho de Nosso Senhor e não se aflija inutilmente.” (São Pio De Pietrelcina), e eu humildemente digo-vos, quero percorrer este caminho, entrar nesta porta que é estreita, a porta do céu, buscando sempre as coisas do alto.

Aqueles que não foram citados neste texto, se meu pobre e podre coração ver que merecem, então eu aguardo vocês nele, se não, aconselho-vos que estejam penetrados no coração de Cristo, para estar presente no meu... Quero que estejam no Dele antes do meu... O Dele é o que importa...

“Seria mais fácil a Terra viver sem o sol do que sem a Santa Missa.”

(São Pio de Pietrelcina)

Minha vocação é o amor.”

(Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face)

“Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível.”

(São Francisco de Assis)

RODRIGO MARTINS JORGE – 26/03

Radicalidade nos desejos e sentimentos


2009
03.11

Amor não é só sentimento

Partimos, agora, para a radicalidade nos desejos, que, muitas vezes, nos enganam e nos levam à perdição. Na sua profundidade os desejos não são pecados, mas podem se tornar um grande meio para que eles ocorram. Desejos significam: vontade de possuir ou de gozar; anseio, aspiração, entre outros, e estão ligados ao agir humano, pois revelam o mais profundo do homem. Desvelam o homem e expõem a sua intimidade, aquilo que, muitas vezes, está oculto no mais profundo do seu ser.

Todos nós temos desejos por alguma coisa, nossa vida gira em volta de alguns desejos que temos. Quem não deseja ser feliz ou fazer o outro feliz? Isso já está dentro de cada um, mas os nossos desejos foram feridos pelo pecado e passamos a entregá-los à ação do mal. Quando nos entregamos aos maus desejos e às paixões desordenadas caímos no pecado, pois o desejo do mundo presente é a nossa perdição. O maior desejo do demônio é nos ver no inferno, longe da graça de Deus.

Veja se dentro de você existem somente desejos para o bem e para a pureza. Geralmente, queremos aquilo que o nosso corpo deseja ou vai satisfazer os prazeres carnais. “A carne, em seus desejos, opõe-se ao Espírito e o Espírito à carne; entre eles há antagonismo; por isso não fazeis o que quereis” (Gl 5, 17). Por isso, não podemos seguir os desejos de nossa carne.

Precisamos ter somente desejos por Deus e pelas coisas do alto. Inclinando os nossos desejos para o alto e buscar a Deus. Não nos deixemos ser seduzidos pelos desejos humanos nem ser influenciados pelos outros. Canalizemos tudo para o Senhor. Desejemos o céu.

O amor deve ser o desejo maior do nosso coração: “O amor causa o desejo do bem ausente e a esperança de consegui-lo” (Catecismo da Igreja Católica – CIC, n. 1765). Desejamos o mal e aquilo que nos leva para longe do Senhor porque ainda não experimentamos o amor de Deus em nossas vidas, que é capaz de preencher toda solidão e ausência de desejo pelo bem. “ […] A graça desvia o coração dos homens da ambição e da inveja e o inicia no desejo do Sumo Bem; instrui-o nos desejos do Espírito Santo que sacia sempre o coração do homem” (CIC n. 2541).

Há dentro de cada ser humano o desejo de buscar a Deus e a bem-aventurança. “As bem-aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade. Este desejo é de origem divina: Deus o colocou no coração do homem a fim de atraí-lo a si, pois só Ele pode satisfazê-lo” (CIC n. 1718).

Cabe a nós purificar os nossos desejos de toda impureza e somente buscar o desejo de Deus para a nossa vida, que é a nossa santificação. Isso não quer dizer que todos os nossos desejos sejam maus, mas é necessário purificar os [desejos] que nos afastam de Deus e que não nos levam à santidade. Quando desejamos algo precisamos ver se isso está de acordo com a vontade divina para então realizá-lo.

Da mesma forma, os sentimentos, muitas vezes, nos enganam e nos levam a nos perdermos neles. Pois o sentir não é pecado, mas o consentir. Não podemos confundir amor com sentimentos. O amor não é só sentimento, mas adesão e iniciativa. O sentimento pode ser consequência das emoções. E é preciso radicalidade nos desejos e sentimentos que são traiçoeiros e enganadores, pois vêm de maneira rápida e desaparecem de repente.

O sentimento é sensibilidade e nos tornamos sensíveis de acordo com determinadas situações. É um estado de espírito. E não podemos usar de sentimentos no nosso relacionamento com Deus. O nosso relacionamento com o Senhor precisa ser concreto e radical, não viver de sentimentalismo. Purifiquemos os nossos sentimentos de toda impureza.

Foto Pe. Reinaldo Cazumbá
padrereinaldo@cancaonova.com
Sacerdote na Canção Nova, trabalha no Instituto de Filosofia na Canção Nova e atualmente exerce também a função de diretor espiritual da casa de formação do pré-discipulado.

Papa diz que vida contemplativa é pulmão espiritual da sociedade


2009
03.11
Terça-feira, 10 de março de 2009, 11h49

Da Redação, com Ecclesia

Reuters
Papa Bento XVI visita Mosteiro das Oblatas de Santa Francesca Romana

Bento XVI visitou nesta segunda-feira, 9, o Mosteiro das Oblatas de Santa Francesca Romana, em Tor de' Specchi, durante a sua visita à Roma, afirmando que a vida contemplativa é chamada a ser "uma espécie de pulmão espiritual da sociedade".

Na Capela do Coro, após um momento de adoração ao Santíssimo Sacramento e de veneração ao corpo da santa, o Papa dirigiu-se às irmãs e às estudantes que residem no Centro Universitário.

Recordando os seus recentes exercícios espirituais com os membros da Cúria Romana, realizados na semana passada, o Papa afirmou ter "experimentado mais uma vez quão indispensáveis são o silêncio e a oração".

"Contemplação e ação, oração e serviço de caridade, ideal monástico e compromisso social: tudo isso encontrou um 'laboratório' rico em frutos", comentou, reconhecendo que "o verdadeiro motor" de tudo o que se realizou no decorrer do tempo, neste Mosteiro, foi "o coração de Francisca, no qual o Espírito Santo derramou os seus dons espirituais e ao mesmo tempo suscitou tantas iniciativas de bem".

"O vosso mosteiro encontra-se no coração da cidade", disse o Papa, destacando que isso é um "símbolo da necessidade de devolver a dimensão espiritual no centro da convivência civil, para dar pleno sentido à múltipla atividade do ser humano".

A terra aberta ao céu

Segundo Bento XVI, as comunidades de vida contemplativa são chamadas "a ser uma espécie de 'pulmão espiritual' da sociedade, para que à atuação, ao ativismo de uma cidade não falte a 'respiração' espiritual, a referência a Deus e ao seu desígnio de salvação".

Este é o serviço "que fazem em particular os mosteiros, lugares de silêncio e de meditação da Palavra divina, lugares onde há preocupação por ter sempre a terra aberta ao céu".

A tradição papal de visitar Tor de' Specchi pela festa de Santa Francisca, a 9 de Março, foi inaugurada por Inocêncio X em 1645.

Santa Francesca Romana fundou a Congregação das Oblatas em 1433. Para o seu projeto de vida religiosa, inspirou-se na Regra de São Bento. Foi canonizada a 29 de Maio de 1608, pelo Papa Paulo V.

Bento XVI convida a redescobrir sacramento da Confissão


2009
03.11

16/02/2008 Bento XVI convida a redescobrir sacramento da Confissão

CIDADE DO VATICANO, domingo, 15 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- Como aconteceu com o leproso da Galileia, curado por Jesus, o sacramento da confissão oferece hoje ao crente a purificação interior, uma espécie de ressurreição espiritual, assegura Bento XVI.

O pontífice convidou a redescobrir o valor do sacramento da reconciliação, na alocução que dirigiu aos milhares de peregrinos reunidos neste domingo, ao meio-dia, na Praça de São Pedro, para rezar a oração mariana do Ângelus.

Em sua intervenção, pronunciada desde a janela dos seus aposentos, o Santo Padre meditou sobre a passagem evangélica da liturgia deste domingo, na qual se apresenta como Jesus curou milagrosamente um enfermo de lepra, doença que para os israelitas não era somente física, mas que antes de tudo representava a impureza espiritual.

O enfermo «deveria ser distanciado da comunidade e ficar fora dos povoados», recordou o pontífice.

Por este motivo, indicou, «a lepra constituía um tipo de morte religiosa e civil, e sua cura uma espécie de ressurreição».

Dessa forma, «na lepra é possível entrever um símbolo do pecado, que é a verdadeira impureza do coração, capaz de distanciar-nos de Deus. Não é, de fato, a doença física da lepra, como previam as velhas normas, que nos separa d’Ele, mas a culpa, o mal espiritual e moral», sublinhou.

«Os pecados que cometemos nos distanciam de Deus, e, se não forem confessados humildemente, confiando na misericórdia divina, chegam a produzir a morte da alma. Este milagre reveste-se ainda de um forte valor simbólico», continuou esclarecendo.

O pontífice recordou que Jesus, como havia profetizado Isaías, «é o Servo do Senhor que ‘levou sobre si nossos sofrimentos, suportou nossas dores’».

«Em sua paixão, ficará como um leproso, tornado impuro por nossos pecados, separado de Deus; Ele tudo isso fará por amor, a fim de obter-nos a reconciliação, o perdão e a salvação.»

«No sacramento da Penitência, Cristo crucificado e ressuscitado, mediante seus ministros, purifica-nos com sua misericórdia infinita, restitui-nos a comunhão com o Pai celeste e com os irmãos e nos dá o dom de seu amor, de sua alegria e de sua paz.»

O Papa concluiu sua intervenção convidando os crentes a recorrerem «sempre ao sacramento da Confissão, o sacramento do Perdão, que hoje é ainda mais redescoberto em seu valor e em sua importância para nossa vida cristã».

Vaticano prepara documento sobre novos meios de comunicação


2009
03.11

Terça-feira, 10 de março de 2009, 16h24

Ecclesia

O Conselho Pontifício das Comunicações Sociais (CPCS), do Vaticano, está preparando um documento orientador sobre os novos desafios mediáticos, que deverá sair até final deste ano, com o objetivo de "introduzir a comunicação da Igreja no mundo do digital".

O anúncio foi feito em Roma pelo presidente do CPCS, Arcebispo Claudio Maria Celli, durante um seminário para os Bispos responsáveis pela área dos media, nas conferências episcopais de todo o mundo, sobre o tema "Novas perspectivas para a comunicação eclesial. Mudanças na cultura e na tecnologia da comunicação: uma reflexão teológico-pastoral". Portugal está representado por Dom Manuel Clemente, Bispo do Porto e presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.

Segundo Dom Celli, esta nova Instrução pastoral seria inspirada na "Aetatis Novae", do CPCS, que foi publicada em 1992 com o intuito de situar as comunicações sociais no contexto cultural da época.

Dezessete anos depois, indica o arcebispo italiano, deram-se "passos de gigante" no sistema das comunicações sociais, que exigem um novo documento. O CPCS reunirá em assembleia plenária, em Outubro deste ano.

Uso das novas tecnologias

Sobre o seminário que decorre em Roma, até 13 de Março, o presidente do CPCS refere que é "a primeira vez" que se faz algo do gênero, para permitir que os Bispos "adquiram um conhecimento mais profundo dos media, tomando consciência das problemáticas de caráter antropológico, humano e cultural que emergem do uso das novas tecnologias".

A Igreja, acrescentou, não olha para as novas tecnologias como "instrumentos novos que pode utilizar, mas como inspiradores de uma nova cultura".

A ideia de um Sínodo dos Bispos sobre as comunicações sociais já foi avançada em vários âmbitos e Dom Celli admite que poderia ser "uma boa ideia". "Nunca se sabe, veremos", aponta.

Durante o encontro de Roma foi apresentada uma visão da evolução que a Internet experimentou nos últimos anos: das páginas Web e dos blogues às redes sociais (Facebook, Youtube, Flikr, Twitter, etc.).

O seminário responde assim à mensagem que Bento XVI escreveu para a Jornada Mundial das Comunicações Sociais de 2009 sobre o tema "Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade".

Desafios

No diálogo com os Bispos, Dom Celli reconheceu que o grande desafio para eles é o fato de não terem nascido na era digital. Um jovem prelado, da Nigéria, comentou que, neste sentido, têm a tarefa de aprender com os jovens, algo a que não estão acostumados.

O presidente do CPCS insistiu no exemplo que Bento XVI deu, ao decidir estar presente com um canal oficial no Youtube (www.youtube.com/vatican). Vários cardeais já estão presentes na rede social Facebook, por exemplo.

Entre os participantes do seminário estão o diretor dos serviços de comunicação do Vaticano, Padre Federico Lombardi, e o diretor do jornal L'Osservatore Romano, Giovanni Maria Vian.

O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, fará um discurso de encerramento na sexta-feira.

Para o Arcebispo Claudio Maria Celli é essencial que "as Conferências Episcopais tenham sites interativos, porque a Igreja não pode só dar informações, mas também deve criar um diálogo".

Mulher: dom e tarefa


2009
03.07
Reconhecer quem somos é viver de acordo com a nobreza da vocação

Quem recebe um dom, recebe também a tarefa de cuidar dele e de fazê-lo frutificar. É natural que seja assim. Quando recebemos um vaso com flores, precisamos cultivá-lo para que continue florido.

Da mesma forma, um filho que nasce traz alegria ao lar, mas precisa de cuidados para crescer e tornar-se homem.

Ser mulher é um dom, uma escolha de Deus, que não diminui nem exalta a vocação humana, mas, justamente por ser dom, traz em si a tarefa de corresponder à missão que lhe é confiada.

O saudoso Papa João Paulo II, em sua Carta às Mulheres, diz que pelo simples fato de sermos mulheres, com a percepção que é própria da feminilidade, enriquecemos a compreensão do mundo e contribuímos para a verdade plena das relações humanas.

Enriquecer a compreensão do mundo e contribuir para a verdade das relações humanas é uma tarefa possível para a mulher que acolhe o dom recebido do Criador.

Acredito que a feminilidade, colocada a serviço do mundo, dá um sentido mais suave às realidades duras que a humanidade inevitavelmente enfrenta. Pois é próprio da mulher gerar vida, harmonia e beleza onde está. Também diz do seu instinto amenizar a dor, incentivar, dar conselhos, acolher e lutar por aquilo que acredita. E isso diz da sua natureza, é dom do Criador.

A meu ver, não há como igualar o dom e a tarefa da mulher com o dom e a tarefa do homem, são realidades profundamente distintas e igualmente enriquecedoras para o desenvolvimento sadio da sociedade, mas uma não substitui nem se iguala à outra.

Reconhecer e assumir essa realidade já é um grande passo para a realização plena de cada um como pessoa criada e amada por Deus. Essa atitude gera gratidão – e quanto mais gratos nos sentimos, tanto mais podemos colaborar com o projeto de Deus, tanto em nossa vida, como na vida dos outros.

Acredito que a gratidão expressa pode ser um bálsamo para aliviar muitas dores. João Paulo II, que sempre exaltou a dignidade da pessoa humana, expressou seu reconhecimento e gratidão às mulheres de todo mundo, na sua carta escrita e publicada em 1995. Suas palavras revelam o dom e apontam a nobre tarefa feminina; parece-me oportuno revê-las:

“Obrigado a ti, mulher-mãe, que te fazes ventre do ser humano na alegria e no sofrimento de uma experiência única, que te torna o sorriso de Deus pela criatura que é dada à luz, que te faz guia dos seus primeiros passos, amparo do seu crescimento, ponto de referência por todo o caminho da vida.

Obrigado a ti, mulher-esposa, que unes irrevogavelmente o teu destino ao de um homem, numa relação de recíproco dom, ao serviço da comunhão e da vida.

Obrigado a ti, mulher-filha e mulher-irmã, que levas ao núcleo familiar, e depois à inteira vida social, as riquezas da tua sensibilidade, da tua intuição, da tua generosidade e da tua constância.

Obrigado a ti, mulher-trabalhadora, empenhada em todos os âmbitos da vida social, econômica, cultural, artística, política, pela contribuição indispensável que dás à elaboração de uma cultura capaz de conjugar razão e sentimento a uma concepção da vida sempre aberta ao sentido do mistério.”

Reconhecer quem realmente somos e viver de acordo com a nobreza da vocação que recebemos pode ser a forma mais original de celebrar o dom e a tarefa de ser mulher.

Foto Dijanira Silva
dijanira@geracaophn.com
Missionária da Comunidade Canção Nova, em Fátima, Portugal Trabalha na Rádio CN FM 103.7

Sofrimento: experiência de morte ou de vida


2009
03.07
Como encarar o sofrimento do jeito de Jesus

Existem muitas formas de sofrimento, ele pode ser físico, moral e até mesmo espiritual. Não há um ser humano sequer isento de amargura, de dor e de todos os outros sentimentos típicos de quem sofre, como a solidão, a tristeza, a angústia, etc... Ninguém gosta de sofrer, nem precisa gostar. Aqui apresento a maneira que Jesus nos ensina a viver esse momento de dor. Esta é a maneira de sofrer que convido você a refletir comigo: sofrer com sentido.

Jesus disse: "Bem-aventurados os que choram porque serão consolados" (Mt 5,4).

No texto original grego o verbo “chorar”, ao qual Jesus aqui se refere, significa “luto”, “dor”, “aflição”, “cerimônia de luto” e “desgraça”, ou seja, é aquela dor que nos leva a preferir a morte à vida ou de tão intensa consome todas as forças do corpo e da alma. O profeta Jeremias chegou até a afirmar: "Maldito o dia em que nasci! Nem abençoado seja o dia em que minha mãe me deu à luz" (Jr 20,15).

Se você se encontra em uma dor semelhante a essa, saiba que é para você esse texto, Deus quer lhe falar, portanto, leia com calma a partir de agora.

A primeira frase que um cristão geralmente diz quando depara com um sofrimento assim é: “Deus me abandonou” ou “Onde está Deus?” ou ainda: “Por que isso comigo?” Se você já passou por isso ou se encontra nesse estado, melhor do que ninguém sabe que nesta hora parece que nenhuma palavra ou ninguém é capaz de lhe retirar a dor. Até pode surgir uma frase bem comum: Nesta hora palavra alguma adianta! E, de fato, o silêncio é palavra certa para os momentos de barulho interior. A resposta ao sofrimento não se encontra na lógica dos acontecimentos.

Como encarar o sofrimento do jeito de Jesus?

A resposta está no próprio versículo que lemos acima. Preste atenção: "Bem-aventurados", felizes "os que choram", ou seja, aqueles que fazem uma experiência de viver como mortos, embora estejam vivos, porque serão consolados" (cf. Mt 5,4). O verbo “consolar”, no texto em grego, é o mesmo que se refere ao Espírito Santo, o Consolador. Veja bem: é o Espírito Santo quem consola aquele que chora, essa é uma promessa do Senhor.

O sofrimento faz parte da vida, agora cabe a você querer vivê-lo com sentido, quero dizer: vivê-lo com esperança. Viver com esperança no sofrimento é assumir a realidade de que tudo passa neste mundo e de que nenhuma experiência de morte prevalece diante do Espírito Santo. O “consolar” aqui significa ser livre dessa experiência de morte, significa experimentar a força da ressurreição que levantou Jesus do sepulcro. A morte não tem poder sobre o Senhor nem sobre nenhum daqueles que morrem com Ele.

Paulo disse: "Se morrermos com Cristo, cremos que também com ele viveremos" (Rm 6,8). Viva seu sofrimento com esperança! Esse é o único modo de dar sentido a ele. Então sofra as demoras de Deus no silêncio, no abandono e na oferta. Cristo morreu em uma cruz, então saiba que todo crucificado será ressuscitado e que as experiências de morte passam. Se vividas em Cristo estas serão transformadas em vida. O modo como isso se dará nem eu nem você somos capazes de encontrar uma resposta satisfatória, mas o cristão sabe que vale a pena porque será consolado.

Tudo passa, aguente firme! Você será consolado!

Leandro César


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